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Os associados têm até 26 de maio para conferir a exposição “Paisagens Interiores”, de Francisco Biojone, que acontece na Senzala, em promoção do departamento de Cultura e que teve concorrido vernissage em 7 de maio. A exposição está aberta as terças e quartas, das 9 às 13 horas, as quintas e sextas, das 13h às 19h, sábados 9 às 17h e domingos e feriados, das 9 às 16 horas.


A exposição conta com 15 obras nas técnicas óleo sobre tela e pastel e ecoline sobre papel em formatos que variam de 41 x 31 cm a 85cm x 1,20m. A coordenação é de Fábio Luchiari, do Ateliê Francisco Biojone.


Nesta mostra, mesmo pensada com obras que tratam de paisagens interiores do artista, o espaço Senzala proporciona um detalhe singular para a exposição. Geralmente, exposições de artes são apresentadas em museus ou galerias, onde há o predomínio de paredes brancas e ambientes fechados, livres de interferências externas ou qualquer evento que possam tirar o foco das obras apresentadas.


No caso do espaço da Senzala, as várias janelas que ficam abertas durante o período de visitação, proporcionam um diálogo único entre a paisagem exterior, no caso o clube, com as paisagens pintadas pelo artista Biojone.


Por meio desta relação, os associados têm uma oportunidade inédita de apreciar dois tipos de paisagens simultaneamente: uma real, repleta de vida e acontecimentos, e outras imaginárias, repletas de memórias e sentimentos.


Em um primeiro instante, o título da exposição “Paisagens interiores” pode parecer contraditório e até causar um estranhamento, já que, na definição do termo, paisagem é a extensão de um território e de seus elementos que se alcança num lance de olhar. Ou seja, trata-se de um conceito estritamente externo e não de algo que tenha relação com interno ou interior.


No caso das paisagens do artista Francisco Biojone, diferente dos artistas que vão a campo para registrar a paisagem ou como faziam os pintores do movimento Impressionista, no final do século 19 na França, que saíam em busca da luz do momento, o movimento foi inverso. Fechava-se em seu ateliê para pintar as paisagens, buscava em suas memórias e lembranças lugares que só existiam no seu interior, na sua imaginação.


Essas paisagens descrevem o estado de espírito do artista em seu momento da criação, ao mesmo tempo em que usava de suas memórias afetivas para construção de composições onde as manchas de cores, ordenadas em tons de azuis, verdes, brancos e marrons criavam paisagens imaginárias repletas de memórias pessoais.


Lembranças alegres, às vezes melancólicas; lembranças serenas, às vezes inquietas; mas sempre lembranças de registros de experiências vividas, traduzidas em paisagens interiores.


BIOGRAFIA

Biojone nasceu (1934) e faleceu em Campinas (14/3/2018). Integrou o Grupo Vanguarda na cidade que, com mais 10 artistas. O movimento propunha a transgressão os padrões de 1958. O grupo obteve êxito e mudou profundamente as artes visuais de Campinas.

 

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