2ª via de boleto
 

Compor músicas para corais é quase um vício para Oswaldo Antônio Urban. Algo que ele não consegue evitar. E foi assim, de forma espontânea, que o maestro de 98 anos fez o Hino da Sociedade Hípica de Campinas. “Um dia estava folheando a revista do clube e fiquei encantado com sua história e suas palmeiras-imperiais. Então, resolvi compor um hino para a Hípica”, conta Urban.

A sombra das palmeiras-imperiais foi o tema da canção, que será gravada no dia 1° de setembro em comemoração do aniversário de 70 anos do clube. A letra e o arranjo foram presentes de Urban, que já fez mais de 250 músicas para corais ao longo de 80 anos de carreira. O hino será gravado em estúdio profissional com o coralistas da Hípica e sob a regência de Jairo Perin, à frente do grupo desde o início do ano passado. As palmeiras centenárias citadas na letra estão no clube até hoje e são originais da Fazenda da Lapa, antigas terras do Engenho do Mato Dentro.

Próximo de seu centenário, Urban ainda é o responsável pelo Coral Pio XI, o mais antigo de Campinas em atividade, que ele rege todos os sábados. O grupo foi criado em 1948, por isso o músico tem o título de “maestro há mais tempo à frente de um mesmo coral”, outorgado pelo RankBrasil.

O amor pelo trabalho explica o entusiasmo e a longevidade do maestro. Urban é natural de Leme (SP), mas veio jovem a Campinas. É graduado em filosofia, direito e pedagogia pela PUC, além de ser formado em música pelo Conservatório de São Paulo. O maestro foi diretor do Instituto de Artes e Comunicação e da Faculdade de Música da PUC na década de 1980 e deixou a vida acadêmica após se aposentar.

Urban se aperfeiçoou em corais, sua paixão, em Nápoles, na Itália. Ao longo de sua carreira, além de compor mais de duzentas peças para vozes, fundou 11 corais em todo o estado de São Paulo.

O poder transformador da música é um dos motivos de Urban para continuar com a batuta aos 98 anos. O maestro acredita que cantar pode mudar a vida das pessoas, principalmente nos momentos mais difíceis. “Já recebi muitos telefonemas de agradecimento de mães, esposos e esposas de coralistas. Eles falam de como a música mudou a vida de toda a família. É isso que enche meu coração de alegria”, completa Urban, que não pensa em parar tão cedo.

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