Segunda (15/5), no período da tarde, recolhemos um sagui de tufo preto, espécie de primata característica de nossa região, já em óbito, próximo ao parque das crianças.
Seguindo os protocolos indicados pela Vigilância Epidemiológica e pelo Centro de Controle de Zoonoses de Campinas, enviamos o animal para necropsia e procedimentos indicados pelos mesmos, com o objetivo de saber a causa da morte e assim estabelecer medidas preventivas caso o animal apresentasse o risco de transmissão de alguma doença, como febre amarela, por exemplo.
Foi realizada necropsia pelos médicos veterinários do Centro de Controle de Zoonoses e o motivo da morte do animal foi trauma crânioencefálico, provavelmente causado por algum objeto ou pela própria queda. A fêmea, excetuando-se as lesões próprias do trauma, não apresentava quaisquer sinais de doenças infectocontagiosas.
Os macacos representam um alerta às autoridades quanto à incidência de febre amarela em diversas regiões do país. Isso porque esses animais também são vulneráveis ao vírus, e a detecção de infecções em macacos ajuda na elaboração de ações de prevenção da doença em humanos. Eles são sentinelas, porém existem espécies mais vulneráveis, como os Bugios. Não se conhece na região nenhum caso de óbito de saguis por febre amarela.
"Os primatas são como anjos da guarda, como sentinelas da ocorrência da febre amarela" explica Renato Alves, gerente de vigilância das Doenças de Transmissão Vetorial, do Ministério da Saúde. “É importante que a gente mantenha esses animais sadios e dentro do seu ambiente natural porque a detecção da morte de um macaco, que potencialmente está doente de febre amarela, pode nos dar tempo para adotar medidas de controle para evitar doença em seres humanos”.

O pesquisador e presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (SBP), Danilo Simonini Teixeira, também alerta que os macacos não são responsáveis pela transmissão da doença, que ocorre pela picada de mosquitos. “Esses animais estão sendo mortos por conta de medo da população humana em relação à transmissão do vírus. Se você mata os animais, vai haver um prejuízo, porque a vigilância não vai ser feita devido ao óbito daquele animal por uma pessoa.”

Nós, da Diretoria de Saúde e Ambiente da Sociedade Hípica de Campinas tranquilizamos a todos com relação aos riscos de febre amarela nas dependências do clube e região do entorno. Não houve nenhum caso e nem mesmo algum animal morto com quaisquer sinais da doença. Entretanto, corroborando as orientações da Secretaria Municipal de Saúde, sugerimos a todos que ainda não se vacinaram contra a febre amarela, que o façam na rotina das Unidades Básicas de Saúde da região de seus domicílios, considerando sempre as contra-indicações estabelecidas pelo protocolo de vacinação.

Atenciosamente

Diogo Siqueira
Médico Veterinário

Roberto Teixeira Mendes
Diretor de Saúde e Ambiente

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